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  • Salmo 3: O Grito de Davi em Meio à Adversidade e o Desafio das Imprecações para o Cristão Hoje

    Salmo 3: O Grito de Davi em Meio à Adversidade e o Desafio das Imprecações para o Cristão Hoje

    A vida de Davi foi marcada por altos e baixos, vitórias e perseguições. O Salmo 3 é um testemunho vívido de um desses momentos de extrema aflição, quando o rei se viu cercado por inimigos, inclusive seu próprio filho. Mas o que podemos aprender com a oração de Davi e as chamadas “imprecações” presentes nesse salmo? E, mais importante, como isso se aplica à nossa fé cristã hoje?

    O Contexto de Angústia de Davi: A Traição de Absalão

    Ao lermos o Salmo 3, somos imediatamente confrontados com a intensidade do sofrimento de Davi:

    ¹ Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim.

    ² Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus.

    ³ Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.

    ⁴ Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte.

    ⁵ Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou.

    ⁶ Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.

    ⁷ Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.

    ⁸ A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção.

    O cenário mais provável para essa oração pungente é a fuga de Davi de seu filho, Absalão, conforme narrado em 2 Samuel 15. Absalão, conhecido por sua beleza e vaidade, orquestrou uma conspiração para usurpar o trono de seu pai. Após vingar sua irmã Tamar e ser exilado, ele retornou e, com o apoio de figuras como Aitofel, um ex-conselheiro de Davi, conseguiu levantar uma rebelião que forçou o rei a fugir de Jerusalém.

    Davi se encontrava em uma situação de vulnerabilidade extrema. Seus inimigos eram numerosos e zombavam de sua fé, dizendo que “não havia salvação para ele em Deus“. Contudo, mesmo em meio a essa escuridão, a fé de Davi se manifestava de forma poderosa. Ele clamava a Deus, confiava em Sua proteção como um escudo e, surpreendentemente, conseguiu encontrar paz para dormir, pois sabia que o Senhor o sustentava. O medo não o paralisou; sua certeza de que a salvação vinha do Senhor era sua âncora.

    As Imprecações: Entendendo os Pedidos de Justiça Divina

    No versículo 7, Davi pede a Deus: “Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.” Essas são as chamadas imprecações: pedidos a Deus para que castigue os inimigos. Expressões como “que Deus pese a mão sobre eles” ou “que Deus os castigue” são ecos desse tipo de oração.

    É importante notar duas coisas sobre isso:

    1 Não é errado pedir a Deus que nos livre dos inimigos. A história bíblica está repleta de exemplos de justos que clamaram por livramento e justiça divina.

    2 Não é errado pedir a Deus que se vingue dos nossos inimigos, pois a vingança pertence a Ele. A Palavra de Deus é clara: “Minha é a vingança e a recompensa“, diz o Senhor (Deuteronômio 32:35). O apóstolo Paulo ecoa isso em Romanos 12:19: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.”

    A questão central não é se podemos pedir a Deus que lide com nossos inimigos, mas sim se devemos nós mesmos buscar a vingança ou desejar o mal. A Bíblia proíbe claramente a vingança pessoal.

    A Salvação no Antigo Testamento e a Plenitude em Cristo

    Para Davi, a “salvação” a que ele se referia no Salmo 3 era o livramento de inimigos humanos, como Absalão e Aitofel. No Antigo Testamento, a salvação frequentemente se relacionava a livramentos de infortúnios, doenças e opressores. Davi não tinha a plena compreensão da magnitude da salvação que viria da sua própria descendência, a saber, Jesus Cristo, o Salvador do mundo. A salvação plena, conforme revelada no Novo Testamento, é o resgate do pecado e a oferta da vida eterna.

    O Desafio de Jesus: Amar os Inimigos e Buscar a Perfeição

    É aqui que o Novo Testamento nos convida a um patamar mais elevado. Jesus, em diversas ocasiões, redefiniu a forma como Seus seguidores deveriam lidar com a inimizade:

    Em Lucas 9:54-56, quando Tiago e João quiseram pedir fogo do céu sobre os samaritanos que não queriam receber Jesus. Jesus os repreendeu severamente, afirmando: “Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.”

    Mas, o ensinamento ainda mais transformador está em Mateus 5:43-48:

    Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. […] Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.”

    O Caminho da Perfeição: Salvação, Não Destruição

    Embora pedir a Deus que nos livre dos inimigos não seja incorreto, o ensinamento de Jesus nos aponta para um caminho de perfeição. Essa perfeição implica em lutar não pela destruição, mas pela salvação de até mesmo do pior inimigo. Jesus deu o exemplo máximo disso, orando por aqueles que O crucificavam.

    É preocupante ver, em nossos dias, cristãos lançando maldições e desejando o mal a outros crentes, simplesmente por divergências de fé ou opiniões. Isso vai diretamente contra o espírito de Cristo e o chamado para amar, abençoar e orar por aqueles que nos odeiam.

    O Salmo 3 nos lembra da confiança inabalável de Davi em Deus, mesmo em face da traição. E o Novo Testamento nos desafia a ir além, amando nossos inimigos e buscando a redenção deles, assim como Cristo fez por nós.

    Qual tem sido a sua postura diante daqueles que te fazem mal? Você tem orado por eles ou desejado sua queda?

    Assista ao vídeo sobre o Salmo 3 no meu canal no Youtube. Clique Aqui.

    Leia também:

    Salmos: De Cânticos Antigos à Vida Atual

    A Carta À Igreja de Filadélfia

  • Moments

    Moments

    Moments – 13 de outubro 2024. Uma reflexão baseado numa experiência real, como um diário.

    Estou aqui, curtindo meu momento em boa companhia, especialmente, a companhia de Jesus Cristo, meu Salvador, junto ao meu habitat, a natureza.

    Ah! Sou grato a Deus por esses momentos. Eles são tão valiosos nesse mundo de guerras!

    Sou grato porque nenhuma bomba cai sobre nosso país, embora eu saiba que muitas guerras estão sendo travadas no campo moral, ideológico e espiritual.

    Entretanto, aqui estou, em paz com a natureza, comigo mesmo, e mais importante, com Deus, pela fé que tenho no Senhor Jesus, sentindo o vendo fresco, contemplando a luz…

    Sou grato pela chuva que demorou, mas veio revelando a fidelidade e bondade de Deus. Posso respirar melhor, sentindo a brisa fresca do amanhecer.

    Sei que esses momentos não são permanentes, não são eternos. Muitos momentos ruins já vieram e se foram. Outros certamente virão e passarão. Então, graças a Deus, os momentos ruins vêm e vão. Nada é para sempre neste mundo. Vivemos a tensão entre o bem e mal desde o início, e será assim até o fim. Até o último momento final.

    Meu Senhor, também viveu estes momentos desde antes de nascer, até o fim. Mas, o seu último momento marcou o início do momento eterno. Ele vive para sempre e jamais voltará a morrer.

    Eu O sigo, caminhando entre bons e maus momentos até o meu momento final quanto será, com Ele, meu momento eterno. Ele está me guiando para lá. Tenho certeza que chegarei seguro.

    Essa paz de hoje, talvez eu não a tenha amanhã. Por isso, deixe eu curtir esse meu momento de agora, como se fosse o meu momento eterno.

  • Tudo por amor 1 Co 16.14.

    Tudo por amor 1 Co 16.14.

    “Tudo por Amor” ou “Todas as vossas obras sejam feitas em amor” de 1 Co 16.14: Um mandamento simples, mas de muito valor para a vida cristã.

    Acordei domingo, 20 de outubro, fiz minha oração e como de costume fui preparar o café. Enquanto preparava, o verso acima me veio à mente, sem mais nem menos. Eu não estava procurando refletir sobre nada. Estava apenas preparando o café. E de repente: Façam tudo por amor.

    Assista Tudo por Amor no Youtube Clicando Aqui.

    Acontece que o referido verso não me saiu da mente o dia todo e alcançou a segunda-feira (hoje), e acho que não vai embora. Então, sinto que Deus quer me falar algo especial que eu devo aplicar às minhas ações.

    Refletindo sobre o texto bíblico, entendo que o sentido é que nossas ações, todas elas, devem ser feitas em, por e/ou com amor.

    Assim, todas as nossas obras só terão sentido ou valor se nós as fizermos com amor. Neste caso, o amor é como o tempero da comida. Uma comida sem sal ou sem o tempero adequado não tem gosto; não tem graça. Assim são todos os nossos trabalhos feitos no automático, mecanicamente, são sem gosto.

    Então, refleti: Como estou preparando este café da manhã: Com amor, por obrigação ou necessidade? Porque vou à igreja hoje? Com que motivação faço o que tenho feito todos os dias?

    Veja que o mandamento apostólico não exclui nada, ele diz: Tudo por amor. Isto quer dizer que não há uma só coisa que podemos fazer relaxadamente, sem amor. Ou seja, isto inclui todas as nossas expressões de vida, de serviço cristão, seja a Deus ou ao próximo. Como por exemplo, preparar o café da manhã.

    Tudo por amor combina com outros ensinos de Paulo ao Coríntios. Como exemplo, temos o tão lembrado, cantado e recitado capítulo 13. Só não sei este é tão obedecido e seguido o quanto é cantado. O Apóstolo conclui o capítulo treze no verso um do quatorze dizendo: “Segui o amor…”.

    Jesus também nos deu o mesmo mandamento e com o modelo a ser seguido: “Um novo mandamento dou a vocês: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros” (João 13.34).

    O amor ordenado aqui é ágape, que, como vemos, não é usado exclusivamente para o amor de Deus, embora seja usado preferencialmente neste sentido.

    É mais interessante notarmos o porquê da enfática exortação ao amor à igreja de Corinto. Trata-se de uma igreja marcada pelo partidarismo (Cap. 1) e por desarmonia no exercício dos dons espirituais (Cap. 12-14). Certamente isso provocava desigualdades (Cap. 11) e rixas na igreja, abalando a comunhão. Então, a exortação foi bastante pertinente.

    Neste caso, nada melhor do que tomar como modelo o maior exemplo de amor que rega e vincula a comunhão, dando unidade ao Corpo, que é o amor de Deus. Então, Paulo falou do amor como “o caminho mais excelente” (12.31).

    A versão ARC traduz amor por caridade. Talvez o tradutor quisesse expressar o serviço cristão. Mas, caridade nos lembra de fazer algo a quem tem alguma necessidade especifica: suprir alimento, saúde, dinheiro, etc.

    Entretanto, a palavra “tudo” nos faz ir além: fazer não só por quem precisa necessariamente, mas, tudo por todos.

    Assim sendo, a missão suprema que temos de nos dedicar com todo amor é fazer tudo em amor.

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