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  • Deus em Nossa Agenda Diária É Canal de Bênção

    Deus em Nossa Agenda Diária É Canal de Bênção

    Deus em Nossa Agenda Diária É Canal de Bênção para muitos mutilados pelo pecado no coração e na alma, físico e espiritual.

    Leitura Bíblica: Atos 3.1-10: 

    1 E Pedro e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona.

    3 O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.

    2 E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam.

    4 E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.

    5 E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa.

    6 E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.

    7 E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram.

    8 E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus.

    9 E todo o povo o viu andar e louvar a Deus;

    10 E conheciam-no, pois era ele o que se assentava a pedir esmola à porta Formosa do templo; e ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe acontecera.

    Uma das perguntas que me faço e que sempre ouço outros fazerem é: Por que Deus não opera milagres como nos tempo bíblicos? Não encontrando respostas a isso, muitos até dizem e ensinam que os milagres cessaram. No entanto, há sempre relatos de que milagres ainda acontecem por aí.

    Porém, é inegável que se vê menos operação milagrosa de Deus nos dias de hoje. Então, eis alguns motivos que considero que sejam as causas disso.

    1 Deus em Nossa Agenda Diária

    Imagem de Pexels por Pixabay

    Talvez, ao invés de perguntarmos porque os milagres já não acontecem como antes, deveríamos perguntar: Onde está Deus em nossa agenda diária? 

    O  texto de Atos 3.1 diz que Pedro e João subiam juntos ao templo à hora de oração, a nona. Era a hora do sacrifício vespertino. Havia também, o sacrifício matutino (Êx 29.36-42).

    Isto quer dizer que Pedro e João tinham o costume de reservar esses horários para orar todos os dias. Isto é, Deus estava totalmente incluído na agenda deles.

    Na verdade, eles não tinham outras preocupações senão pregar a salvação em Jesus (evangelizar) e orar. Essa era a agenda ministerial deles. Esta era a missão deles.

    Uma prova disso é que quando o trabalho secundário, porém, importante, começou a aumentar, decidiram eleger homens cheios do Espírito Santo para ajudar, para que eles, apóstolos, continuassem a missão principal: Orar e evangelizar (Atos 6).

    Mas hoje, nós estamos (quando digo nós, estou incluído) correndo de um lado para o outro ocupados com nossas coisas, ganhar dinheiro, resolver problemas que sempre aumentam, lazer, futebol… Mesmo Ministros de tempo integral passam maior parte do tempo administrando bens próprios, da igreja, dos membros problemáticos, etc. Os ministros de hoje funcionam como bombeiros sempre tentando apagar incêndios causados por muito fogo carnal, quando lhes falta fogo espiritual. Orar? Oram sim, mas, as prioridades estão invertidas.

    Então, se Deus não estiver em nossa agenda, como Ele agirá em nossas vidas? Paulo sempre ensinava, orava e buscava lugar de oração (At 16.13). Jesus às vezes passava a noite em oração, mesmo depois de um dia intenso (Mt 14.23).

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    1 Deus em Nossa Agenda Diária É Canal de Bênção

    Só podemos realizar as obras de Deus com Deus. Jesus disse: Sem mim nada podeis fazer (Mt 15.5). Acredito que se dermos lugar a Deus para governar nossas vidas e, se dermos lugar a Ele em nossa agenda, veremos muitos milagres e o sobrenatural do Espírito Santo em nosso agir.

    O que resulta disso é a solução de problemas intransponíveis, mais alegria e libertação para nós e para todos ao nosso redor.

    Mas, quando se fala nos problemas de enfermidades e outras carências, ouço muitos dizerem: Ah se eu tivesse dinheiro! 

    Porém, o que vemos em Pedro e João? Eles disseram ao paralítico de nascença: Não temos ouro e nem prata. Isto é, não temos dinheiro, mas o temos te damos. 

    Imagino o paralítico que nunca tinha andado em toda sua vida. Todos os dias as pessoas colocavam-no à entrada da porta Formosa do Templo. Ali ele esmolava todos os dias.

    Mas um dia, Pedro e João iam passando para oração e o mendigo pediu a eles uma esmola. Quando Pedro disse: Olha para nós! Imagino o mendigo crédulo de que receberia uma boa esmola, se é que isso existe.

    Porém, quando Pedro disse que não tinha ouro e nem prata, imagino o homem murchando de tristeza. Mas logo sua alegria deve ter voltado quando ele ouviu: Mas o que tenho… – Opa! Vai sair uma esmola aí!

    Mas Pedro e João disseram ao mendigo: “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” Nem todo dinheiro do mundo poderia fazer o mendigo andar. Só Jesus Cristo.

    Em nome de Jesus um homem que desde do berço não andava, andou, saltou e correu. E o que ele quis fazer agora que andava era seguir Pedro e João no caminho de Cristo, glorificar a Deus e testemunhar a benção de Deus em sua vida.

    Hoje há poucos milagres porque julgamos que se tivermos recursos científicos e dinheiro podemos resolver tudo, apesar da Pandemia de Covid 19 ter nos mostrado diferente.

    O fato é: Deus já não faz mais parte de nossa agenda como na igreja primitiva.

    Leia também: Abençoai! Abençoai!

  • A Suficiência Absoluta do Sacrifício de Cristo

    A Suficiência Absoluta do Sacrifício de Cristo

    A Suficiência Absoluta do Sacrifício de Cristo deveria ser algo a que se confessam cristãos deveriam depositar total confiança. Entretanto, não é o que constatamos nas confissões e práticas de muitas religiões que se dizem cristãs. Há os que declaram não ser Cristo suficiente, e por isso, procuram estabelecer outros meios necessários para salvação tais como: obras de caridade, preceitos da Velha Aliança, uma multidão de mediadores, etc.

    Essas coisas, entretanto, não são de hoje, pois já no primeiro século do cristianismo havia igrejas tentando implementar outros meios para se achegar a Deus. Menciono dois exemplos disso: A Carta de Paulo aos Gálatas, que é uma repreensão à igreja por achar necessário incluir as práticas judaicas da Velha Aliança. Assim fazendo estavam passando para outro evangelho, no caso, um falso evangelho (Gl 1.6-8).

    Outro exemplo é a Carta aos Hebreus, onde o autor procura convencer seus leitores, que também, estavam voltando às práticas da Velha Aliança, de que o sacrifício de Cristo é eficiente, absoluto, único e suficiente para purificar-nos dos pecados. Não há outro.

    O que Cristo fez na cruz pelos que crêem nele é o único meio tanto para bênçãos terrenas e, muito mais ainda, para redenção espiritual. Quaisquer outros meios são inúteis. 

    O mesmo podemos dizer do serviço e prestação de culto. Qualquer culto em que Cristo não seja o centro e único meio de se aproximar de Deus é inútil. 

    Por que o sangue de Cristo é assim eficiente? 

    Hebreus 9 contrasta a transitoriedade e imperfeição da Velha Aliança baseada nos sacrifícios de animais com o sacrifício de Cristo na cruz. No santuário havia o santo lugar e o santo dos santos. No santo dos santos só o sumo-sacerdote entrava uma vez por ano para apresentar o  sacrifício de um animal puro e sem mácula por si mesmo e pelo povo. 

    Mas na Nova Aliança, os versos 11 e 12, do capítulo 9, diz: “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.”

    Então, vimos que o sacrifício de Cristo é superior a quaisquer outros e nem devemos associá-los a outros, pois não é desta criação, não é transitório, não é temporal; mas é atemporal, eterno e celestial.

    • Cristo não ofereceu sangue de animais, mas ofereceu seu próprio sangue, a si mesmo.
    • Jesus Cristo é o Filho por quem Deus declarou total aceitação (Mt 3.17; Mc 9.7).
    • Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). 
    • Jesus Cristo foi impecável diante de Deus e dos homens (Jo 8.46).

    A prova de tudo isso é que Jesus ressuscitou dentre os mortos, caso não fosse aceitável por Deus, tal não aconteceria (At 13.34-39).

    Só Jesus Cristo salva (At 4.12). 

    Jesus não precisa de advogados associados para defender ao que nele crê. Ele é suficiente.

    Concluindo, o culto verdadeiro é aquele em que a fé em Cristo é o único, absoluto e suficiente Mediador para nos aproximarmos e nos relacionarmos com Deus.

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  • Abençoai! Abençoai!

    Abençoai! Abençoai!

    “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (Rm. 12.14).

    Em 1974 estreou o filme Death Wish (Desejo de Matar). O filme foi grande sucesso, de forma que teve o 1,2,3,4 e 5. 

    Paul Kersey (Charles Bronson) se torna justiceiro depois que sua esposa foi brutalmente assassinada. Então ele ficou conhecido como “O justiceiro da Noite”, porque sua atividade de vingança era sempre à noite.

    O filme foi uma resposta à falência no sistema judiciário que não punia, mas beneficiava bandidos criminosos. Aqui no Brasil, claro, fez muito sucesso e ainda é muito assistido até hoje, embora por aqui o sistema judiciário seja perfeito, impecável!

    Esse tipo de filme sempre faz muito sucesso: Os vingadores, O Protetor, O justiceiro… As pessoas estão sempre com muito Desejo de Matar. Em grande parte isso se deve às injustiças crescentes neste mundo; e a injustiça cresce porque há injustos na liderança.

    Entretanto, o cristão tem uma ordem expressa para não procurar vingança. Romanos 12.19 diz: ‘Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor.’

    Imagem de Christine Schmidt por Pixabay

    Está claro, então, que a vingança pertence a Deus, e Ele vingará todas as injustiças e todos os atos de violências: homicídios, roubos, assaltos, violências sexuais, assassinatos, feminicídios, etc.

    Deus julgará porque Ele é Juiz de toda a terra; Ele é o Senhor (Gn 18.25, Sl 24.1).

    Além disso, vimos no nosso texto bíblico inicial a ordem: Abençoai… Abençoai…. Ela não aparece repetida por acaso, mas é uma ênfase que reforça o mandamento.

    Esse mandamento, diriam alguns que nos dias atuais gostam de questionar os mandamentos apostólicos: “Não não de Deus e nem de Cristo, mas do apóstolo Paulo.” 

    Mas temos, então, o mandamento do próprio Cristo no capítulo 6, especialmente o versículo 28 de Lucas. Jesus manda: “Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.” 

    No referido capítulo, assim como em Mateus 5 e 6, há vários mandamentos que podemos resumir assim: “Amem os que vos odeiam, aceitem o prejuízo e a injustiça  por minha causa, assim como eu assumi a culpa de vocês e perdoei vocês. Essa ideia é expressa por Paulo em 1 Cor. 6.7.

    Esse tipo de pensamento é completamente incompatível com este mundo, mesmo tendo um grande número de cristãos. Por isso, o cristianismo não funciona com tanta eficácia: não cura, salva, não transforma quase nada.

    Na incompreensão de tal mandamento do Senhor, “grandes mentes” têm sugerido até reinscrever as Escrituras para que ela diga coisas que tais mentes julgam mais justas para o contexto de hoje. Querem uma Bíblia cheia de justiça humana, filosófica, sociológica e política; com um Deus caricaturado.

    Mas é compreensível, pois os tais não têm poder de transformar suas próprias mentes, porque não têm o Espírito de Deus (Rm 8.9), não são cristãos verdadeiros. Mas, falando de cristão verdadeiros, esses receberam o poder de serem feitos filhos de Deus (Jo 1.11,12), e foram capacitados para obedecer a Deus. Então, aos cristãos vem a ordem: Abençoai! Abençoai!  

    Porém, vemos tantas esquizofrenias no meio cristão evangélico (falo com vergonha) que de vez em quando recebo notícias de “crentes super poderosos” que amaldiçoam até mesmo cristãos de outros segmentos denominacionais, porque pensam diferente deles; imagino os incrédulos e malignos.

    Entretanto, a ordem permanece: Abençoai! Abençoai!

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    Leia também: A Mulher que Amas

  • Lições de Vida: O Poder do Perdão

    Banquete Para Reconciliação Familiar Gn 43.30.

    Súplica por Misericórdias (1-14).

    O mundo passava por uma grande fome. Mas no Egito havia abundância, porque José fora usado por Deus para armazenar alimento e preservar a vida do povo, inclusive sua família. Seus irmãos já haviam buscado uma primeira remessa de alimentos numa situação dramática (veja aqui). Mas agora o alimento acabou e precisavam voltar para comprar mais.

    Judá lembrou que se voltassem, deveriam levar Benjamim, ou morreriam (3,5). Uma sutileza de José para rever o irmão caçula.

    Israel (Jacó) perguntou porque havia revelado que tinham outro irmão. Judá disse que o governador do Egito os havia perguntado e não podiam saber a intenção dele. Propôs ficar como fiador de Benjamin.

    Jacó finalmente consente em deixar Benjamim ir com eles. Mas usa das suas velhas táticas: levar um presente, restituir o dinheiro em dobro, e que “Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem, para que deixe vir convosco vosso irmão” (13).

    Lições de Vida: Saudação de Paz (15-25)

    Eles chegaram de volta ao Egito. Ao ver Benjamim, José mandou preparar um banquete para comer com eles.

    Temerosos e pensando o que lhes aconteceria, falaram ao despenseiro de José como encontraram o dinheiro nos seus sacos de mantimentos da primeira vez, e que o trouxeram de volta, em dobro.

    O despenseiro consola-lhes: “Paz seja convosco, não temais. O vosso Deus, o Deus de vosso pai, vos deu tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro me chegou a mim” (23).

    Então lhes trouxeram fora Simeão e os levou à casa de José.

    Lições de Vida: Recebidos com Honras (26-34).

    Os irmãos de José deram-lhe o presente de seu pai e se inclinaram perante ele (26). José perguntou pelo pai deles. Eles responderam que ele estava bem. José se comoveu ao ver Benjamim e o abençoou (29). José ficou “profundamente comovido por causa de seu irmão… filho de sua mãe” (29,30). Correu para o seu quarto e chorou.

    Depois que se conteve, voltou e mandou servir à mesa (30,31). As mesas postas, os egípcios à parte, pois estes não comiam com hebreus (32).

    Na mesa dos hebreus, uma identidade cultural de família: diante do governador, o primogênito e o menor. Isto lhes deixa maravilhados. Benjamim ganha porção cinco vezes maior do que os demais. “Eles beberam e se regalaram“. O clima era de festa.

    Israel e seus filhos não sabiam quanto tempo duraria a fome. Pensaram, talvez, que até consumirem o que tinham levado, já teriam outra solução para sobreviverem. Se assim fosse, Simeão ficaria preso no Egito, pois Jacó não estava disposto a deixar Benjamim ir com eles. E não poderiam chegar lá sem Benjamim. Israel gastou até o último recurso para não deixá-lo ir, com medo de perdê-lo, sem saber que assim, estaria matando-o de fome. Kinder diz: “Tive de perdê-lo para ganhá-lo”.

    Judá foi mais nobre do que Rubem neste caso. Colocou sua própria vida como garantia.

    Israel demonstra que de alguma forma ainda era o Jacó (Suplantador), pois continua com as velhas táticas de enviar presentes, pagar em dobro, e isso, acompanhados de oração. Talvez este último ingrediente fosse o que fizesse toda a diferença na vida de Jacó: confiar, e adorar a Deus (Ver Gn 28.20-22; 35.7; 48.3).

    O presente era uma cortesia quase que indispensável (1Sm 16.20; 17.18).

    Restauração Completa.

    José que tinha ficado completamente só, agora estava prestes a se reunir, além de sua esposa e filhos, pai e irmãos. Seus filhos teriam muitos tios e tias, primos e primas.

    Seus irmãos ficaram preocupados. Não sabiam o que estava acontecendo. Estavam vivendo uma trama desconhecido. Não sabiam o que esperar.

    O despenseiro de José os consolou. Certamente o despenseiro ouvira a respeito de Deus através de José, e agora transmite àqueles homens angustiados (23). Aprendeu a ser consolador dos tristes. Simeão lhes foi restituído. O clima muda da tristeza para a alegria.

    Entregaram os presentes de seu pai, inclinaram-se de novo diante de José (26). Mais uma vez, os sonhos de José se cumpriram, pois vinham de Deus. José abençoou seu irmão Benjamim. Seu amor por ele era maior porque ambos eram filhos da mesma mãe, Raquel, a esposa amada de Jacó.

    José correu para chorar escondido de tanta emoção (29,30).

    Os costumes tradicionais de uma família trazem consigo uma marca, uma identidade. O lugar de cada membro, seus talheres e pratos, a comida preferida… Tem um sabor de comunhão.

    José, carente dessa comunhão, não aguentou e desabou a chorar (30). Para os irmãos de José que, até então, não sabiam estar ali seu irmão, a alegria é descrita em termos de satisfação (34). Por um momento, todo o drama parecia ter terminado.

    Comer separado dos egípcios, segundo Kidner, não é preconceito, mas prática cultural (46.34).

    5 Lições de Vida:

    1 – Sobre os planos de Rubem e de Judá, a proposta deste era mais coerente que a daquele. Ele mesmo ficaria como fiador e seria culpado se algo acontecesse com seu irmão mais novo. Não devemos colocar a vida de ninguém em risco. Precisamos assumir responsabilidades para não cometermos injustiças

    2 – Israel e suas táticas de Jacó. Nós também muitas vezes as usamos com o nosso “jeitinho brasileiro”. Esquecemos que nosso caráter deixou de ser do homem natural, para sermos novas criaturas em Cristo. Creio que o mesmo que salvou Israel é o que nos salva: confiar e pedir misericórdias a Deus (14). Deus é o Pai das misericórdias (2 Co 1.3).

    3 – Diante das dificuldades, os irmãos de José aprenderam a honestidade (15-25). Apertos às vezes trazem ajustes.

    4 – O despenseiro de José consolou os irmãos deste. Eles que tinham uma cultura cheia de Deus e que deveriam consolar os outros, foram consolados por um homem cuja cultura era uma das mais politeístas. Devemos consolar os aflitos, com a Palavra de Deus.

    5 – A restauração da família de Israel estava acontecendo. A forma dramática deixaria lições profundas e duradouras. Deus ensinaria a eles a terem caráter, a terem honra, fidelidade, verdade, honestidade, respeito, bondade, amor e fé. Deus quer a restauração da família. Deus é família: Deus-Pai, Deus Filho e Deus-Espírito Santo.

    Sinais de Piedade Gn 44

    Consolo e Aflição (1-13)

    José busca Sinais de Piedade: Arrependimento Sincero em seus irmãos. Para isso ele criou uma prova para eles. Mandou seu despenseiro encher-lhes os sacos de mantimento e recolocar dentro o dinheiro com que tinham comprado mantimentos.

    No saco de mantimento de Benjamim, colocassem além do dinheiro, a taça de prata. O despenseiro os seguiria, os alcançaria e os acusaria de roubo e encontraria a taça com Benjamin. Assim aconteceu.

    Confiantes de que nada tinham feito de errado, defenderam-se dizendo que com quem fosse achado algum roubo, este morreria e todos ficariam como escravos (9). Procurando desde o mais velho, achou-a com o mais moço (12). Ficaram apavorados. Recarregaram os animais e voltaram à cidade (13).

    A taça de prata parecia ter sido cobiçada durante o banquete ou, pelo menos elogiada ou José sabia do que eles gostavam, do que mais lhes chamaria atenção. Não importa. O fato é que saíram de um banquete de alegria para outro, de agonia, acusados de roubo e traição. E logo com quem fora achado a taça: o filho querido do papai, pelo qual tinham empenhado vidas.

    Arrependimento Sincero (14-34)

    Na casa de José, “prostraram-se diante dele em terra” (14) mais uma vez os sonhos de José se cumpriram. J

    osé os acusou de traição. Judá tentou defender a si mesmo, e a seus irmãos, com humildade (16). Mas, José disse que aquele com quem fosse encontrada a taça é que ficaria como escravo. Os outros poderiam voltar.

    Judá explicou que aconteceria com seu pai se perdesse o segundo, morreria de tristeza (v 28,29).

    Morte é a palavra Xeol: Heb. “Sepultura”, “Mundo dos mortos”, “Além”; Hades, no Gr. Traz também a ideia de sofrimento, opressão.

    No Novo Testamento, lugar de tormento eterno, Mt 25.41; 23.15,33; Ap 19.20; 20.10, 14-15 – (Dicionário de Teologia do Novo Testamento, Edições Vida Nova).

    Judá disse que havia assumido compromisso de ser fiador de seu irmão mais moço, e que não queria ver a infelicidade de seu pai (34). Que deixasse este ir. Ele, Judá, ficaria em seu lugar.

    Judá foi representante do grupo. Explicou toda história para dizer que ficaria em lugar de Benjamim, pois não queria ver a infelicidade de seu pai. Judá demonstrou piedade. Foi ele quem sugeriu a seus irmãos não matarem José, mas vendê-lo aos midianitas (37.26). Consciente ou não, poupou a vida de seu irmão.

    Dessa vez ele tentava honrar o compromisso feito a seu pai. Aprovado, pois José buscava evidência de piedade em seus irmãos. Ele encontrou em Judá, cujo nome significa: “louvor”.

    Novamente eles se prostram diante de José (14). Mas agora o fariam dramática e solenemente. Corriam o risco de não levar seu irmão mais moço de volta, como também, de não voltar nenhum deles. Por isso expressaram humildade (16).

    Lições de Vida:

    1 – De um banquete de alegria e ternura à provação. José, que também já havia sido acusado de algo que não fizera, sabia o que eles estavam passando. Mas a intenção era buscar sinais de piedade e de arrependimento neles. Quando somos provados, devemos ser aprovados pelo arrependimento sincero.

    2 – Judá demonstrou honra, honestidade, caráter, fidelidade, responsabilidade. Demonstrou boa índole. Ele, que havia sugerido vender José aos midianitas (37.26,27), agora estava se redimindo junto deste sem saber. Foi provado e aprovado. Foi humilde e reconheceu seu pecado (16). A humildade precede a honra (Pv 15.33; 18.12).

    3 – A vida é feita de dramas. Devemos refletir em cada situação e procurar entender a vontade de Deus. Certamente tenhamos de nos arrepender e confessar pecados (16).

    4 – Os irmãos de José demonstraram boa índole. Estavam quebrantados, humildes e piedosos.

    A Restauração da Comunhão na Família Gn 45

    Se Faz com Perdão (1-15).

    A Restauração da Comunhão na Família se Faz Com Perdão.

    José não se conteve diante da demonstração de arrependimento de Judá. Mandou todos saírem e chorou tão alto que os egípcios e a casa de Faraó ouviram.

    Então José se revelou a seus irmãos (3). Pasmaram-se. José os consolou e os isentou de culpa. Perdoou-lhes. Disse a eles que Deus o havia enviado ao Egito para “conservação da vida” e “conservar vossa sucessão na terra, e guardar-vos em vida por um grande livramento” (5,7).

    Mandou-os voltar e buscar a seu pai, e falar-lhe de sua glória no Egito. José chorou com eles e beijou-os (14,15).

    Um drama comovente: Da tristeza à alegria; da alegria à tristeza e novamente à alegria. A vida é assim. Os irmãos de José plantaram ódio, colheram tristezas e amarguras. Mas pela graça de Deus receberam perdão, mediante arrependimento.

    Quem quer perdão precisa também se arrepender. José foi surpreendentemente perdoador. Alguém poderia dizer que ele era um protótipo de Cristo. Embora Cristo esteja muito acima de todos os homens, não há dúvidas de que José foi uma espécie de Messias para a família de Israel naquele contexto.

    José foi um homem comum, fiel a Deus no seu tempo, na sua história. Nós também podemos ser iguais a ele nos nossos dias. Deus pode nos permitir passar por tribulações visando algo melhor para nós.

    José foi vendido, escravizado, acusado injustamente, preso, mas tudo isto para preservar a vida de muitos, inclusive sua família e descendência, a descendência de Abraão. A promessa foi feita por Aquele que é poderoso para cumprir.

    Vimos aqui, que os dramas da vida eram encarados como ação de Deus. Os dramas não levantaram dúvidas sobre a existência e cuidado de Deus. “O israelita reconheceu a si mesmo criatura de Deus. Como não levantou dúvidas sobre a sua própria existência, assim também não podia duvidar da existência e da realidade de Deus” (A.R. Cabtree, Pg 42).

    Além disso, eles acreditavam na bondade de Deus (43.14).

    Desfaz O Poder Mal.

    Não se trata aqui da crença de que tudo é operado por Deus. Se Deus é bom, Ele não pode operar o mal. Mas Deus intervém na história atendendo orações (doutra forma, para que orar?) e usa os dramas causados pela maldição do pecado (escolha do homem: o fruto do bem e do mal, Gn 3), e os transforma em bênçãos.

    Eles tinham consciência de que o que recebiam de mal era punição ou repreensão divina de seus próprios pecados (Gn 44.16; Nm 32.23).

    José tinha consciência de que se cedesse ao assédio da mulher de Potifar e o desrespeitasse estaria pecando contra Deus (Gn 39.9).

    Pecado no Velho Testamento é a palavra “Avon”, “iniquidade” (Sl 90.8), ou “culpa” (Gn 15.16); e “hata” e “pesha” são usados nos dois sentidos, de “culpa” e “castigo” (Mq 6.7; Jr 17.1; Am 1.3; Jó 34.6). Estão relacionados: pecado, culpa e punição (Cabtree, pg 172).

    Assim o mal era consequência do pecado. Mas tinham um Deus misericordioso, disposto a perdoar (Ng 43.14; Êx 20.6; Dt 5.10; 7.9).

    Com Presentes e honras (16-28).

    Faraó consente e dá todos os recursos, e oferece o melhor da terra para Israel e seus descendentes. José deu-lhes carros, comida e roupas para irem e voltarem à sua terra. A Benjamim deu trezentas peças de prata, e cinco mudas de roupas (22). “A seu pai enviou dez jumentos carregados do melhor do Egito, e dez jumentas carregadas de trigo, e pão e outras provisões para a sua viagem ao Egito (23).

    Quando os filhos de Jacó chegaram e lhe contaram que José estava vivo e que era o Governador do Egito, seu coração desmaiou (26). Mas eles falaram de todas as palavras de José e vendo ele, os carros, reanimou-se e disse: “Basta! Ainda vive meu filho José. Eu irei e o verei antes que morra”.

    Assim, Israel foi para o Egito.

    É Completa em Deus

    O melhor da terra lhes foi dado por Faraó por causa de José. Eles podiam dizer que eram os donos do mundo da época. Mas agora, com piedade e misericórdia provadas. Quão bom seria se fosse sempre assim! Ah se nossos governantes fossem piedosos, tementes a Deus!

    Toda a família de Israel agora estaria reunida. Todos teriam terra, casa, família, e riquezas. A restauração foi completa: material, emocional e espiritual.

    José encheu seu irmão de presentes e também honrou seu pai. Ele viria para o Egito, mas viajaria e lá chegaria como um marajá, com toda sua descendência. Foi assim que Israel foi parar no Egito: em glória, e da mesma forma sairá.

    Lições de Vida:

    1 – Na vida há choro de tristezas, mas também de alegrias. “O choro pode durar uma noite, mas pela manhã vem a alegria”(Sl 30.5). Não se desespere.

    2 – Devemos aceitar o arrependimento sincero sem reservas. Não podemos reter o perdão porque ele é de Deus. O perdão cura nossas almas.

    3 – Os caminhos de Deus não são o mesmo dos nossos caminhos, nem os pensamentos dEle os nossos pensamentos (Is 55.8). Ninguém poderia dizer que ser vendido como escravo poderia um dia salvar nossa própria vida e descendência. Saibamos descobrir Deus nas adversidades.

    4 – Realmente o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. A noite de agonia passou e veio a manhã gloriosa para Israel.

    5 – Um velho homem que estava triste pela perda de seu filho e preocupado pela ameaça de destruição de sua descendência agora viaja como um marajá para o Egito. Num tempo de escassez, gozava de fartura e glórias. Foi assim que aprenderam que a Deus pertence o abater e o exaltar. Deus sustenta o faminto na fome (1 Cro 29.11,12). O povo de Deus tem tempos difíceis, mas também tem tempos de glória neste mundo e, terá melhor ainda, no final da história: a glória eterna (Lc 12.32; Ap 12.10). Alguém poderia dizer que é assim com todo mundo, crente ou não. Mas quem é crente sabe que a vitória do crente tem um sabor diferente. Ela vem de Deus como bênção, e isso não tem preço.

    Referências

    1 – Bíblia Sagrada

    2 – Dicionário da Bíblia John D Davis

    3 – Teologia do Velho Testamento, A.R Cabtree

    4 – Comentário Bíblico Moody

    5 – Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento

    6 – Imagens do Desenho Bíblico “José do Egito”.

  • A Mulher Que Amas: Bênção de Deus

    A Mulher Que Amas: Bênção de Deus

    A Mulher Que Amas: Bênção de Deus, Eclesiastes 9.9: Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol.

    A Mulher Que Amas, ou seja, sua esposa, com quem você se casou, homem, é bênção de Deus para sua vida. O amor dessa mulher deve ser o prêmio para a vida do marido todos os dias.

    A Mulher Que Amas, Quem É Ela?

    Imagem de Sonam Prajapati por Pixabay

    A gente sabe que não é bem assim, mas este é o ideal, e é o que pode fazer um casamento pleno de bênçãos e alegrias. Provérbios 18.22 diz: “Aquele que encontra uma esposa, acha o bem, e alcança a benevolência do Senhor.

    É claro que uma coisa leva à outra, pois a mulher boa esposa que o escritor bíblico tem em mente é aquela de Provérbios 31.10-31, a mulher  virtuosa.

    Então, bendita hora em que Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma adjutora que lhe corresponda.”

    Vejam que Deus criou um homem para uma mulher e uma mulher para um homem, e casou-os. Foi o primeiro casamento da história da humanidade (Gn 2.2).

    Jesus lembrou aos fariseus que este é o princípio estabelecido por Deus (Mt 19,8,9). Essa é a vontade de Deus. Divórcio  é uma concessão “por causa da dureza de coração” de homens e mulheres, consequências do pecado. Jesus ensina que o casamento deve ser perpétuo (Mt 196b).

    Mulher: Bênção de Deus

    Assim, o casamento entre um homem e uma mulher é bênção de Deus. Foi isso que Adão expressou em Gênesis 2.23: “Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.” Este cântico ou poesia foi para dizer: “Essa é que é mulher!”.

    Então note, homem, Adão foi o único da história que podemos dizer que dormiu solteiro, e acordou casado. Mas você que é solteiro, não pense que vai acontecer o mesmo com você. Sai à conquista de sua esposa com joelho no chão em oração ao Senhor, para que a sua mulher seja bênção na sua vida. Muitos acham que a mulher é maldição, mas é porque não a buscou como bênção de Deus.

    O autor de Eclesiastes é pessimista quanto à supervalorização das coisas desta vida. O autor procura filtrar desta vida as coisas mais importantes, e as aconselha, como algo que podemos aproveitar ao máximo, curtir. Dentre essas coisas, está o casamento. Veja a ênfase: “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã”. Este pensamento está permeando todo o Livro, como por exemplo, 5.18 (Confira).

    A mulher que amas”, é aquela que o laçou com laço de amor e mesmo que ela lhe dê cordas, você não sai de perto. Você diz assim: “Para quem irei eu, se só você tem o que preciso?” Mais ou menos como Pedro disse a Jesus: Para quem iremos nós? (Jo 6.68).

    Paulo orientou aos bispos a que fossem maridos de uma só mulher. Mas certamente que o que se tem em mente é a mulher ideal, mulher com M maiúsculo, cuja performance está muito bem descrita em Provérbios 31.10-31. Quais são os adjetivos dessa mulher: Ela é virtuosa, valorosa, confiável, cheia de boas obras, que cuida com excelência da casa, cujo os filhos se levantam e a elogia dizendo: “Essa é que é mãe. E o seu marido diz: “Essa é que é mulher!

    Mas certamente, essa mulher espera ter maridos e filhos honrados, que a respeitem. Penso que a ideia é que cada lar seja representado por uma família real em que o marido é o rei, a mulher a rainha e os filhos são  príncipes e princesas. Esse é o desafio para a família em Cristo ou seja, família cristã.

    Com certeza não será uma família perfeita em si mesma, mas o será em Cristo, a família que Deus espera que sejamos.

    Na presença do Senhor flui o amor e o  perdão que o lar precisa para cobrir as imperfeições. Há orientações seguras para o sucesso da família em Efésios 5.21-6.4.

    Veja as bênçãos do casamento:

    1- Afetividade. “A mulher que amas”. Reconhece que o homem é um ser carente de amor: a) Primeiramente de Deus; b) Mas também do próximo: Parentes e amigos; c) Conjugal: Romântico e sexual. 

    2 – Alegria.  O Verso básico diz: “Goza”, isto é, “alegre-se”. O prazer que os cônjuges têm no casamento abençoado. 

    Certo jovem estava namorando uma moça já fazia muitos anos e não a pediu em casamento. Quando ela insistiu em querer saber porque, ele disse que queria gozar a vida primeiro antes de casar. Então ela disse, tá certo. Você está livre para gozar a vida, mas eu quero me casar e vou procurar alguém que o queira.

    Não há nada mais agradável para o homem do que casar conforme a Bíblia orienta.

    3 – Perpetuidade ou seja, descobrir as bênçãos da permanência na união. É como descobrir a cada dia o sabor do vinho que quanto mais velho, melhor.

    4 – Alimento para a alma em que há segurança emocional. Esta é a porção desta vida que logo terminará. No além não há casamento (Ec 9.10).

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    Leia também: Lições de Vida: História de José do Egito

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  • Lições de Vida: José do Egito Filho de Israel

    Lições de Vida: José do Egito Filho de Israel

    Lições de Vida uteis todas as pessoas, de todas as idades, seja no contexto da família ou profissional, moral ou espiritual.

    O Ódio Entre Irmãos Impede Ouvir A Voz de Deus Gn 37.1-11

    Jacó, pai de José, vivia em Canaã (1). Ele tinha 12 filhos: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Dã, José, Benjamim, Naftali, Gade e Aser (1Cro 2.1,2). José, aos 17 anos (2), apascentava o rebanho com os filhos de Bila e de Zilpa, mulheres de seu pai. Bila (Bilha ou Bala) serva de Raquel, dada a Jacó, (Gn 30.1-8).

    Zilpa (ou Zelfa) era escrava de Lia, que ela deu a Jacó, para que tivesse mais filhos e conquistasse seu marido, (Gn 29.24; 30.9-13).

    Ruben praticou incesto com Bila. Jacó soube disso e não fez nada de imediato para punir o filho. Deixa claro que o filho é mais importante que a escrava. Além do mais, a punição poderia causar mais desavenças na família. Embora Jacó tivesse se deitado com ela, esta não passava de uma escrava para ele.

    Porém, na sua bênção aos filhos, condena o ato louco de Ruben, (Gn 35.22; 49.3-4).

    José levava más notícias de seus irmãos a seu pai (2).

    Israel (Jacó) amava mais a José por ser o filho da sua velhice e, de sua mulher amada, Raquel, por quem trabalhara 7 anos. Por isso fez para José uma túnica de várias cores. Seus irmãos o odiavam e o injuriavam por isso (4-11).

    José (que quer dizer: possa o Senhor acrescentar) teve dois sonhos que significava que ele reinaria sobre sua família (5-11).

    Seu pai o repreendeu por isso.

    Sentimentos diversos de ódios, invejas, enganos e privilégios que fizeram dessa família um excelente estudo de casos para servir de modelos a todas as famílias com seus dramas.

    Veremos a seguir como o ódio entre irmãos impede ouvir a voz de Deus.

    O Filho Amado Odiado

    Os sonhos de José tinham uma mensagem de Deus. Deus iria realizar algo para preservar-lhes a vida. Assim, Deus cumpriria a promessa feita a Abraão, de lhe dar descendência numerosa e abençoada (Gn 12.1-4). José seria um instrumento nesse plano divino.

    Deus conduziria os descendentes de Abrão ao Egito onde ficariam por quatrocentos anos até que “a medida da iniquidade dos amorreus”, isto é, Canaã estivesse no ponto de sofrer o juízo divino (15.13-16).

    José seria eleito por Deus para salvar Israel da morte pela fome que viria, e para preservar a descendência de Abraão, de quem nasceria o Messias.

    Jacó fez uma túnica “cerimonial com ornamentos, ostentosa e provocante” para José. Por ser o preferido do papai, José conquistou a rejeição de seus irmãos, e seus sonhos foram vistos como vaidade e prepotência.

    Talvez fosse mesmo anunciado assim, já que se tratava de um rapaz de 17 anos, inexperiente.

    Os sonhos de José não foram aceitos como recado de Deus, por causa do ódio e dos ciúmes de seus 12 irmãos.

    O ódio deles tinha como raiz também o fato de José levar más notícias deles a Jacó. Mas isso que José fazia não era fofoca. Lembremo-nos de que o sistema era patriarcal. Jacó era o juiz, o líder. Se inquirido pelo pai, José teria que dizer a verdade (Lv 5.1). E a verdade é que seus irmãos não produziram nenhuma boa notícia.

    Os sonhos de José também não foram aceitos por Jacó. Mas este, mais experiente, pensava consigo mesmo se Deus não teria um propósito para a vida do rapaz.

    Bila e Zilpa certamente se sentiam como objetos de Jacó e de suas esposas, Lia e Raquel. Como eram tratadas: escravas ou esposas? Havia igualdade entre elas fora da cama? Ou eram apenas escravas reprodutoras?

    Mulheres idólatras, tratadas dessa forma, o que ensinavam a seus filhos? Talvez isso explique o mau comportamento de Dã, Naftali, Gade e Aser, filhos dessas mulheres (2).

    Ensinos para Igreja A igreja é como uma grande família, comunidade de irmãos, e precisa ser justa na trato com as pessoas (1 Tm 5.1-25) a fim de evitar ciúmes e contendas por privilégios. Precisamos evitar o ódio entre irmãos para que possamos ouvir a voz de Deus. Entretanto, espera-se que os cristãos sejam maduros espiritualmente e venham vencer tais desajustes.

    O papel do desequilíbrio é produzir o equilíbrio. Vemos na história de Jacó e sua família muitos dramas que podem nos trazer lições para nossos relacionamentos familiares hoje.

    Para os hebreus, Deus não ficava de fora de nenhum aspecto de suas vidas. “Era participante do drama da vida do homem”.

    Deus não nos abandona só porque as coisas vão mal. Ele está conosco para nos dar a vitória. Aliás, Deus, e somente Deus, pode nos dar vitórias reais.

    Quando as coisas vão mal, nós devemos clamar, e devemos manter o culto e a adoração a Deus, pois Ele nunca perde a dignidade. Ele é sempre digno de adoração.

    Sonhos, Onar (grego clássico) e enypnion (Septuaginta) v6 .

    No Antigo Testamento, no judaísmo, no mundo grego e no Oriente Próximo antigos, entendia-se, geralmente, que os sonhos continham recados de Deus, especialmente os recebidos por reis e sacerdotes. Assim entenderam Jacó em Betel (Gn 28.12ss), Eli em (1Sm 3) e Salomão em Gibeão (1Rs 3.4-15). Eram tidos como um tipo de revelação divina.

    Às vezes correspondia a uma aparição de Deus (Gn 20.3; 28.12; 31.11; 1Sm 28.6; Jó 33.14-18).

    Sonhos também podiam ser mentirosos (Jr 23.32; 27.9).

    Veja também a crítica de Zacarias (10.2), e a Lei (Dt 13.2-6), que recomendava a pena de morte para o sonhador que ensinava mentiras.

    Onar, “sonhos”, ocorre no Novo Testamento, 6 vezes em Mateus (1.20; 2.12, 13,19, 22; 27.19). Em Atos (16.9; 18.9; 23.11; 27.23-24 – Fonte: DITNT).

    Já em Atos 2.17 a palavra é anypnion.

    Os sonhos podem ser:

    1- sonhos vãos (Jó 20.8; Sl 73.20; 90.5; Is 29.8);

    2- sonhos usados por Deus para fins especiais. Estes têm finalidade de interessar à vida espiritual dos indivíduos (Jz 7.13; Mt 27.19), e de servir de meio de comunicação (proféticos) instrutivo de Deus, numa época em que a revelação era incompleta (1 Rs 3.5; Dn 2.1,4, 36).

    Devem ser submetidos à prova (Dt 13.1-5; Jr 23.25-32; 29.8; Zc 10.2).

    Eram premonições e não teofanias (aparições divinas), como seria a Moisés mais tarde (Ex 3). As teofanias eram meio de revelação mais desenvolvido do que os sonhos, pois nelas aparecia um agente divino (anjo), ouvia-se a voz de Deus em estado de consciência normal, ou alguma manifestação visível (Ex 3).

    Revelação, Conceito

    Cabe aqui um conceito de revelação, “a palavra revelar significa tirar o véu ou remover a coberta que esconde um objeto para expô-lo à vista. No Antigo Testamento o conceito limita-se exclusivamente à revelação do próprio Deus e dos mistérios divinos que o homem é incapaz de descobrir .

    Parece que José e seus contemporâneos viviam na era dos sonhos. São tantos sonhadores: José, Faraó, padeiro e copeiro-chefe.

    Hoje Deus nos fala pela Palavra, Jesus (Hb 1.1). Qualquer sonho ou outra suposta manifestação ou revelação de Deus deve ser avaliada pelo crivo aferidor das Escrituras, especialmente do Novo Testamento.

    Podem ocorrer em situações específicas, extraordinárias, e não, comum. Muitos, ao invés de ler as Escrituras vivem sonhando. Ao invés de pregar a Palavra, pregam sonhos, e até, delírios, devaneios.

    Não devemos pensar que Deus inspirou os sentimentos, pensamentos e atitudes de Jacó e seus filhos para agirem como agiram. Deus não leva ninguém a pecar. Deus não foi determinista. Não os predestinou para serem o que foram. Mas Deus se serviu das motivações naturais deles para operar na história, apesar dos pecados deles. E a ação de Deus é para salvá-los dos seus pecados.

    Da mesma forma, Deus estava esperando que a iniquidade dos cananeus chegasse a ponto de julgamento para destruí-los.

    Aplicações

    1 – É preciso conquistar a credibilidade para ter voz junto às pessoas. Precisamos construir uma autoimagem como mensageiros de Deus. A autoimagem de José estava desgastada pela preferência de seu pai, e talvez pela sua inexperiência de vida (1Tm 3.6,7). Porém, como Jesus disse, “Não há profeta sem honra a não ser na sua terra e na sua casa” (Mt 13.57).

    2 – Quando os pais têm preferências por algum dos filhos, discriminam os outros. Coloca os seus preferidos como vilões e destroem a autoimagem deles perante os outros. Cria um ambiente de ódio, invejas e intrigas que os impede de ouvir a voz de Deus.

    3 – Devemos anunciar os planos e as mensagens de Deus com humildade e no momento oportuno. Porém, às vezes não há forma delicada e simpática de dizer a verdade nua e crua (Mt 23).

    4 – Deus usa os nossos dramas naturais da vida para manifestar seus planos e seu poder, e para preservar, disciplinar e santificar seu povo.

    5 – Os sonhos que Deus nos dá se cumprem. Não devemos desprezar os sonhos, mas avaliá-los a luz da Bíblia.

    6 “Deus era com ele”. Potifar entregou nas mãos de José tudo quanto tinha. Deus abençoou a casa e o campo do egípcio por causa de José. José teve sucesso não por posição política ou de autoridade humana. O sucesso dele era por estar no centro da vontade de Deus. Ele era agradável a Deus. Deus operava em seu favor. Sua vitória era acima de tudo, moral e espiritual, mais do que política e financeira.

    Todo drama vivido por José teria o objetivo de impedir o plano de Deus, de salvar sua posteridade. Mas Deus estava com ele para reverter toda contrariedade em bênçãos. Duas coisas contribuíram para a vitória na vida de José:

    1 – Ele era fiel a Deus e aos seus contratos com os homens (v 9);

    2 – Deus se agrada e abençoa a vida dos fiéis, fazendo-os prosperar em quaisquer circunstâncias (v 2). Em José nós temos um retrato do tipo de pessoas que agradam a Deus. E vale lembrar que estamos falando de um jovem de 17 anos.

    Sim. José era um Jovem bonito de corpo e de boa aparência. A mulher de Potifar “pôs os olhos em José” e começou a assediá-lo. José se recusava a ceder ao assédio dela, porque ele era fiel e tinha a confiança de Potifar. Porém, mais importante ainda, ele era fiel a Deus (v. 9).

    Antes de atingir aos homens, os nossos pecados atingem a Deus. Um dia a mulher de Potifar agarrou José. Ele correu deixando sua capa. Ela chamou os guardas e acusou-o de tentar estuprá-la. Ao saber disso, Potifar o mandou prender.

    Pense! Qualquer jovem que estivesse na situação de José naquele tempo seria morto. Por que será que Potifar não mandou matar José? José tinha toda autoridade dada por Potifar, mas não era uma oportunista. Não usou da autoridade para tirar proveito da situação. Outros o teriam feito. Mas lealdade era uma das marcas de José, e isso é o que falta a muitas pessoas nos dias de hoje. Se Deus se agrada dos fiéis, desagrada dos infiéis, pois Deus é Fiel. A fidelidade é virtude divina.

    Quando somos fiéis nos identificamos com Deus. Deus abençoa homens de honra. Honra também é virtude divina. O procedimento de José viria a combinar com o 10º mandamento (Dt 5.21): “Não cobiçarás“.

    O Apóstolo Paulo disse: “Pois eu não teria conhecido a concupiscência se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm 7.7b).

    Mas José tinha consciência de pecado antes da Lei existir. O Espírito da Lei de Deus já estava no seu coração. Isso demonstra que uma pessoa pode obedecer aos preceitos da Lei de Deus mesmo sem um mandamento específico, pois ela é a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26,27).

    Mas José deve ter aprendido tais preceitos não só por ser intuição, mas pela tradição oral que era transmitida de pais para filhos, sobre os feitos de Deus aos seus ancestrais.

    Com certeza, ele ouviu falar do pecado de Adão e de Eva, de Caim e da geração má dos tempos de Noé (Gn 4.7,8;6.5ss), e disso deve ter tirado princípios para sua vida. Por que seus irmãos não fizeram o mesmo?

    Responsabilidade, respeito, honra, caráter, dignidade, fidelidade, honestidade, bondade e veracidade são características que Deus encontrou e aprovou na vida de José, e aprova na vida de qualquer pessoa, de qualquer lugar e de qualquer época. Estes são princípios eternos. São doutrinas para a vida cristã e para todas as pessoas.

    Um jovem aos 17 anos resistir aos assédios de uma mulher que, com certeza era extremamente bonita (Potifar não teria mulher feia), tinha que ter muito caráter. De fato, foi por isso que ele fugiu e veio a cumprir também o mandamento apostólico (1 Co 6.18; 2 Tm 2.22).

    Há muita falta de preocupação com caráter, com honra e com moral nos dias de hoje. Os devassos acusam aos cristãos de um discurso moralista. Abaixo o moralismo! Mas ainda assim é melhor um discurso moralista do que um discurso imoral, libertino, devasso.

    A mulher de Potifar foi caluniadora. Assim como a honra, a verdade e a fidelidade identificam a pessoa com Deus, a calúnia identifica-a com o Diabo (diábolos, grego, “caluniador”).

    A ação da calúnia provocou a injustiça e a opressão a José. Mas Deus estava com ele e lhe deu vitória. A fidelidade a Deus tem um preço a pagar. José foi acusado e preso injustamente. Mas mesmo assim, como é bom ter a consciência tranquila perante Deus e os homens!

    Para um jovem nos dias de hoje, José seria um “babaca”. Esta é uma crença diabólica. A crença do “levar vantagem em tudo” e tirar o máximo proveito da situação é semelhante à ação do Diabo que anda ao derredor, como caçador buscando a quem possa tragar (1 Pe 5.8).

    Certamente José não era perfeito, sem pecado, mas um homem de princípios e íntegro, por que Deus era com ele. Uma pessoa pode prosperar em quaisquer circunstâncias. Se um homem ou mulher honrar a Deus, Deus não os abandonará, mas os abençoará. Mesmo na prisão (20b-23), o Senhor era com José, e “estendeu sobre ele a sua benignidade, e lhe concedeu graça aos olhos do carcereiro.” (21).

    O carcereiro entregou todos os presos e toda prisão sob administração de José. Quando Deus está conosco, nós prosperamos em todas as circunstâncias, mesmo as mais difíceis. Deus abençoa as pessoas fiéis.

    Fugir do assédio sexual não é caretice, nem burrice, mas esperteza (Pv 5;7). Fugindo do mal, nós temos a amizade de Deus; de outra forma, a inimizade (2 Jo 2.15-17).

    Por causa de crenças mundanas de infidelidade é que crescem os assassinatos, brigas, filhos sem pais criados por avós ou abandonados, num crescimento da injustiça, da miséria e da dor. Princípios estes que Satanás usa para oprimir psicológica, moral, física e espiritualmente. “Um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7).

    Que o injusto continue na injustiça e o sujo na sujeira (Ap 22.11), porém quem quer ter a amizade de Deus, que fuja dessas coisas.

    O ódio tenta destruir os sonhos de Deus em nossa vida e família (Gn 33.1,2; 37.12-36).

    As preferências paternas.

    Israel chamou José e o mandou espionar seus irmãos. José foi a Siquém onde seus irmãos pastoreavam e onde deveriam estar, mas eles tinham ido para Dotã, onde os encontrou.

    Seus irmãos o viram de longe e tramaram matá-lo e jogá-lo em um poço, pensando assim em destruir os seus sonhos (v 20).

    Mas Rúben, querendo livrá-lo e devolvê-lo a Jacó convenceu seus irmãos a não matá-lo, mas apenas jogá-lo no poço.

    Vindo uma caravana de Ismaelitas que levava especiarias para comercializar no Egito, venderam José a eles por 20 siclos de prata.

    Ruben o procurou mais tarde e não o encontrou no poço. Ficou desesperado. Seus irmãos mataram um cabrito e com o sangue deste tingiram a túnica de José e enviaram-na a seu pai dizendo que um animal selvagem o havia devorado.

    Jacó chorou pela morte de José por muitos dias (v 33). Seus filhos e filhas tentaram consolá-lo, mas ele estava inconsolável (v 35).

    José foi vendido para Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda egípcia (v 36).

    É assim que o ódio tenta destruir os sonhos de Deus. Pai Insensato Mandar um adolescente espiar dez homens, em clima de ódio formado por preferência paterna e pelos sonhos de grandeza do jovem, sabendo que seus filhos eram de má fama; foi um ato incoerente de Jacó.

    Entretanto suas suspeitas se confirmaram, pois seus outros filhos não estavam em Siquém, onde deveriam estar, mas em Dotã.

    “A mentira tem pernas curtas”. “Coitado do mentiroso. Mente uma vez, mente sempre. Mesmo que diga a verdade. Todos lhe dizem que mente” (Estes versos constavam da cartilha que estudei na infância).

    Entretanto, o fato de estarem em Dotã quase um dia de viagem de Siquém, mais longe de casa, deve ter sido parte de um plano já premeditado para pôr fim a vida de José. Até o estranho que andava por ali sabia exatamente onde José os encontraria.

    O Ódio e os sonhos de Deus Para Nós

    Movidos pelo ódio, os irmãos de José tentaram matá-lo e destruir seus sonhos. Mas tais sonhos eram de Deus e, o objetivo como veremos mais adiante, era salvar suas próprias vidas e posteridade, bem como, cumprir a promessa feita a Abraão (Gn 12.1-3).

    Destruindo os sonhos de José, eles destruiriam suas próprias vidas e história.

    A vingança traz destruição, desgraça. O ódio tenta destruir os sonhos de Deus para nossa vida e família.

    As Hipocrisias na Família

    Ver seu pai chora por muitos dias de tristeza e ainda chorar com ele demonstra a hipocrisia, a covardia e a impiedade de seus filhos, que sabiam o que de fato tinha acontecido (v 35). Se pessoas tão íntimas podem ser tão ímpias, imagine pessoas estranhas.

    Kinder lembra a ironia que Jacó estava sofrendo. Ele usou um cabrito para enganar seu pai (Gn 27) agora recebe a traição e impiedade de seus filhos com o sangue de um cabrito.

    Ruben demonstrou boa intenção, mas não tinha personalidade forte o bastante para fazer o que era certo. Não basta querer fazer o bem. Temos que fazê-lo mesmo que nos custe alto preço. Não é por acaso que se diz que “de boas intenções o inferno está cheio”.

    Também não sabemos se ele queria mesmo fazer o bem a seu irmão ou se estava com medo de que, se algo desse errado, tivesse de enfrentar seu pai, uma vez que era o mais velho e já estava em falta (35.22).

    Irmão Mercadoria

    Judá parecia importar-se mais com o lucro, ou seja, “que proveito” (lucro) teria se matassem a José. Vendendo-o se livrariam do incômodo irmão e lucrariam algo.

    Um Pecado Sobre Outro

    Do Hebrom a Siquém a distância era pouco mais de 100 km. E Dotã estava a cerca de 30 km, nas colinas da Serra de Carmelo, em Sumária. Jacó estava preocupado com o que Simeão e Levi haviam feito antes quando da violência contra sua irmã, Diná (Gn 34) e com as notícias que recebera de José (37.2).

    A mentira dos irmãos de José (v 12) evoluiu para premeditação de homicídio, tentativa de homicídio ( v 20), transformou-os em mercadores de escravo ( 24-28). Um pecado atrai ou leva a outros pecados.

    Lições:

    1 – Os filhos de Israel (Jacó) não eram confiáveis. Por isso, Jacó mandou espioná-los. Filhos mentirosos perdem a confiança dos pais e das pessoas em geral. É fácil perder a confiança dos outros. Mas é muito difícil conquistá-la. Filhos que dizem que vão a um lugar e vão a outro, cedo ou tarde serão descobertos e colherão o fruto da mentira: desgraça.

    2 – Ato de insensatez de Jacó mandar seu filho querido espionar as víboras de seus irmãos. Já devia conhecê-los o suficiente. Um empregado poderia ser o espião.

    3 – Os sonhos de José eram planos de Deus. Por isso Deus usou Ruben para poupar a José da morte. Deus tem planos para nossa vida e Ele o cumprirá, apesar de nós. Eles quase destruíram aquele que mais tarde viria a servir de instrumento de Deus para salvá-los. Igual ao que fizeram com Jesus. Às vezes nossos planos são de morte para nós mesmos. O ódio cega, mata e tenta destruir os sonhos de Deus para nossa vida.

    4 – Pessoas dominadas pelo ódio e pela inveja podem fazer as piores atrocidades, até mesmo aos seus. Elas podem matar, roubar, escravizar, portar-se com hipocrisia.

    5 – José foi lançado em um poço e vendido como escravo, mas tudo isso seria usado por Deus para salvar vidas e disciplinar seu povo. Deus pode permitir-nos experiências amargas, visando um plano maior. Pode até tirar nossa vida, para salvar outras, como fez com Jesus. Nossa salvação é garantida, mas não somos poupados de sofrer para cumprir a vontade de Deus. Não é Deus que nos faz sofrer. Somos nós mesmos. Deus usa nossa realidade para disciplinar-nos.

    6 – Um jovem foi vendido como escravo por 20 siclos de prata. Este era o preço de um escravo (Lv 27.5). Quanto ele valeria um pouco mais de 20 anos depois?

    O Intérprete De Sonhos, Consolador dos Aflitos, Gn 40.1-23,

    Por causa de mentiras, José foi preso no Egito. Mas mesmo assim ele passou de simples prisioneiro, pois era o intérprete de sonhos, consolador dos aflitos; Deus estava com ele.

    O copeiro-chefe e o padeiro chefe do rei do Egito ofenderam-lhe e foram presos onde estava José. Numa noite ambos sonharam. Eles ficaram perturbados por não saberem que significavam os sonhos.

    Pela manhã José viu que eles estavam perturbados (6) e perguntou-lhes o que estava acontecendo.

    Contaram-lhe os sonhos. O copeiro-chefe contou-lhe o seu sonho. José o interpretou: em três dias Faraó o restauraria à sua função no palácio. José pediu-lhe que se lembrasse dele quando o sonho se realizasse (14).

    O padeiro-chefe também contou seu sonho. José o interpretou. Em três dias o padeiro seria enforcado e as aves do céu lhe comeriam a carne.

    O que José disse, aconteceu. Mas o copeiro-chefe não intercedeu por José.

    Aqui vemos a injustiça que José sofreu. Aqueles dois homens mereciam estar na prisão porque “ofenderam” ao rei. Kinder diz que o hebraico indica ofensa grave.

    Mas como eles eram egípcios e de cargos importantes no palácio real, José que estava ali injustamente teve de servir os injustos (4).

    A história do padeiro e do copeiro pode trazer-nos muitas lições. Mas o foco principal aqui é José, o abençoado por Deus. Ele se interessava pelos problemas dos outros e usava seu dom de intérprete de sonhos para ajudar as pessoas (6). Ajudando aos outros ele também buscava solução para seus problemas.

    Pessoas testemunham de que quando ajudam aos outros também são ajudadas, de alguma forma. Sim, o intérprete dos sonhos, sofrendo injustiças na prisão, consolou os aflitos na prisão. Ele também consola aqueles que sofrem com os enigmas dos sonhos não compreendidos.

    Quão horrível é ter a sensação de que algo está para acontecer, ter um recado de Deus e não saber exatamente o que é.

    Os sonhos para os egípcios eram recados da divindade. Tinham sentido profético.

    A interpretação do sonho do padeiro não era nada boa, mas era a realidade. Nem sempre Deus tem bons sonhos para nós. Mas pelo menos era a realidade e ele podia ter uma perspectiva real para qual podia se preparar.

    O copeiro não intercedeu por José. Nem sempre as pessoas correspondem ou demonstram gratidão pelo bem que lhes fazemos. Não importa. O nosso socorro vem de Deus (Sl 46.1).

    Lições:

    1 – Quando os sonhos nos perturbam devemos buscar a paz de Deus, o Senhor dos sonhos.

    2 – Mesmo em situação difícil o cristão precisa ser bússola para orientar os perdidos (6).

    3 – Não devemos esperar misericórdia dos homens, mas de Deus, que é o nosso socorro bem presente na angústia (Sl 46.1). O copeiro não se lembrou de José, mas Deus nunca o esqueceu. Que importa o copeiro?

    4 – Tentar ajudar aos outros pode ser útil na resolução de nossos próprios problemas. Mas esta não é a motivação correta.

    5 – Os sonhos daqueles homens diziam respeito aos seus destinos e eles nem sabiam. Devemos advertir aos homens de seus destinos quanto à resposta que eles devem dar ao Evangelho. O começo, o fim da vida e o destino depois disso pertencem a Deus, e Ele os revela pelo Evangelho.

    Intérprete dos Sonhos 2, Consolador dos Aflitos Gn 41: Rei Angustiado (1-8).

    Além do padeiro e do copeiro, Faraó, rei do Egito, também teve dois sonhos: 7 vacas magras devoravam 7 vacas gordas e 7 espigas miúdas devoravam 7 espigas cheias.

    O natural é o forte devorar o fraco, mas aqui é diferente.

    Faraó ficou perturbado e não houve adivinhadores ou sábios no Egito que conseguisse decifrar os sonhos.

    As pessoas tinham os sonhos como meio de receber mensagem divina, sobrenatural. Angustiava-se quando não conseguiam saber o significado.

    José, O Intérprete dos Sonhos Se Apresenta a Faraó

    Finalmente o copeiro-chefe falou a Faraó a respeito de José. Faraó mandou trazer José à sua presença.

    José não se apresentou diante de Faraó de qualquer jeito. Por quê? Parece que era costume (Jr 41.5).

    Seja como for, o fato é que José se apresentou como um vitorioso. Fosse ele alguém vingativo, deixaria seu opressor em angústias. Mas José se apresentou perante Faraó pronto para aproveitar a oportunidade que Deus estava lhe dando.

    Por causa do espírito de vingança muitas pessoas se fecham para as oportunidades.

    Arrependimento Oportuno (9-13). O copeiro-chefe falou como José interpretou o sonho dele e como ele o ajudará em situação semelhante. Reconhece sua falta em não ter falado de José antes (9).

    Conta a Faraó como José interpretou o sonho dele e do padeiro-chefe, e que tudo havia acontecido como lhes dissera. O copeiro-chefe finalmente reconheceu seu erro. “Antes tarde do que nunca”. O arrependimento sincero é virtude salvadora (9).

    Dando Glória a Deus (14-24)

    Faraó manda chamar José, ele se arruma, e se apresenta ao rei. Ao falar sobre a habilidade de José, este diz que “Deus é que dará uma resposta de paz a Faraó” (16).

    Então, José fala a respeito do Intérprete dos Sonhos, Deus. Deus é quem cria a oportunidade de testemunho. Deus pode mostrar algum plano aos incrédulos como Faraó, mas é preciso um crente fiel para ajudá-lo a entender completamente. E esta é a oportunidade de testemunho do crente.

    Lições de Vida: Determinado por Deus (25-36)

    José, O Intérprete dos Sonhos explicou os sonhos de Faraó. Ambos os sonhos têm uma só mensagem. É Deus quem revela a Faraó o que vai acontecer (25.28,32).

    Claro, o Deus verdadeiro conhece o futuro. Haveria sete anos de fartura que seria devorado por sucessivos sete anos de fome (29-31).

    O sonho duplo era porque o fato estava determinado por Deus (32).

    José aconselhou a Faraó que armazenasse a quinta parte dos sete anos de fartura para suprir os 7 anos de fome, e que ele colocasse um homem sábio, e administradores sobre este negócio.

    O Intérprete dos Sonhos: Da Prisão Ao Palácio (41-37)

    Faraó gostou da interpretação dos sonhos e do conselho, e reconheceu em José a presença de Deus (38-39).

    Sua palavra parece ter sido resultado do testemunho de José em glorificar a Deus (38,39) e parece com Jo 11.49,52, quando Caifás deu testemunho da obra de Cristo.

    José, O Governador do Egito

    Faraó constituiu a José governador do Egito, autoridade máxima depois dele. Deu-lhe Asenate por esposa, e José viajou pelo Egito orientando a produção e armazenamento de alimentos em todas as cidades.

    José e Asenate tiveram dois filhos. Manassés e Efraim e, então, a fome veio a todas as terras (54), mas no Egito havia fartura.

    Todos foram comprar alimento de José no Egito (57).

    Os tempos das vacas magras vieram, mas para José já eram passados. Agora começaria o tempo das vacas gordas.

    José passou a ser o segundo homem mais importante de todo o mundo. Ele se tornou o vizir do Egito e recebeu o anel de sinete, que representava autoridade real. Todos os outros países precisaram comprar alimento de José.

    José teria a conservação da vida em suas mãos. Ele foi administrador de uma causa existencial.

    A partir de então, teria família e vida emocional quase completa. Só faltaria a reconciliação com seus irmãos. Mas isto logo se resolverá.

    Aplicações e Lições de Vida:

    Quando estamos no centro da vontade de Deus é assim: do cárcere para a glória; da prisão ao palácio; do condenado, a liberto. É isto também o que Cristo faz a todos que nele crê (Ap 1.5-6).

    Muitas pessoas estão angustiadas com problemas e perturbadas por sonhos incompreendidos. Os cristãos são os que devem orientar-lhes com o evangelho de Cristo.

    Quando estamos desorientados na vida, precisamos de voz profética. A voz profética não vê só o futuro, mas também o que devemos fazer no presente para evitar a calamidade futura: plantar e armazenar hoje, para não sofrer amanhã.

    O copeiro, que também fora preso, agora tinha a oportunidade de ser instrumento de Deus. “Ele tinha a faca e o queijo na mão”.Isto é, podia ficar em silêncio para se vingar de Faraó. Mas ele falou a Faraó a respeito de José, e demonstrou arrependimento por não tê-lo feito antes. Ele era o único que sabia quem poderia ajudar e o indicou. Mesmo sem intenção, agindo bem salvou sua própria vida da fome.

    Devemos indicar o caminho, e a verdade, e a vida àqueles que estão perdidos. Deus planejou e executou tais planos para que os descendentes de Abraão fossem para o Egito. Três motivos:

    1º que eles fossem mensageiros de Deus aos egípcios e demais povos, demonstrando Sua soberania e providência na história;

    2º Através dos dramas e alegrias vividos, disciplinar e preparar os descendentes de Abraão para receber Seu Pacto e ser Seu povo;

    3º Relembrar, manter e cumprir sua promessa de enviar o Messias (descendente de Abraão – Gn 17 com Gl 3.29; 4.4-7).

    Não devemos lamentar os tempos difíceis, de vacas magras. Se Deus está conosco, virão os tempos de vacas gordas. As provações não podem roubar a nossa esperança em Deus.

    José glorificou a Deus diante de Faraó dizendo que Deus é quem dá entendimento e resposta de paz (16.28,32). A sabedoria vem de Deus. A glória e a honra devem ser dadas a Deus. Não perca a oportunidade de glorificar a Deus.

    Os Sonhos Que se Cumprem São Providências de Deus (Gn 42.6)

    Jacó mandou seus filhos ao Egito para comprar alimento. Os 10 foram. Benjamim, o caçula irmão de José, ficou. Jacó teve medo de perdê-lo como perdera José. Os dois, José e Benjamim, eram filhos de Jacó com Raquel, sua mulher amada.

    Os filhos de Jacó foram comprar alimento de José no Egito e se inclinaram “diante dele com o rosto em terra” (6), sem reconhecê-lo. José os reconheceu, mas se fingiu de estranho e falou-lhes através de intérprete (13 anos havia se passado. ver cap 37.2; 41.46).

    José se lembrou do sonho que tivera (v. 9 com 37.5-11).

    José os acusou de espiões e insistiu, embora eles apresentassem argumentos de defesa: “Sois espiões e querem descobrir os pontos fracos do povo” (12, 14, 16).

    Diante disso, um deles deveria ficar. Os outros deveriam ir embora levando alimento e voltar trazendo o irmão mais novo para confirmar o que estavam dizendo. Colocados na prisão por três dias (18), refletiram que tudo lhes acontecia porque eram culpados das angústias que causaram a José.

    Rúben os lembrou de como os advertira. José entendendo o que se passava, comoveu-se e retirou-se para o seu quarto, para chorar escondido (24).

    Em seguida, prende Simeão. Manda dar-lhes cereal e restituir-lhes o dinheiro, escondido.

    No caminho, ao abrir os sacos de alimento para dar comida aos animais, descobriram o dinheiro e temeram dizendo: “O que é isto que Deus nos fez?”

    Ao chegar a casa explicaram tudo a Jacó, dizendo que o senhor da terra lhes tratara asperamente e que exigiu que lhe levasse o irmão mais novo.

    Jacó os acusou de tirar-lhe os filhos e se recusou a deixar Benjamim ir com eles.

    Rubem tentou convencê-lo. Disse que seu pai poderia matar os filhos dele se não trouxesse Benjamim de volta (37).

    Jacó amava mais José e Benjamim porque eram filhos de Raquel, a esposa amada, por quem trabalhou sete anos para o sogro (Gn 29.15- 30).

    O caçula era o único que lhe restava de lembrança dela, já que ele não sabia que José estava vivo.

    Os filhos de Israel inclinaram-se diante de José no Egito.

    Os sonhos dele (cap 37) começaram a se cumprir (6). Os sonhos que Deus nos dá, não se perdem com o tempo e nem com as adversidades da vida, pois Deus é poderoso para cumprir seus projetos.

    Para Nosso Arrependimento José quis aplicar-lhes uma lição, para ver se haviam se arrependido. “O gato escaldado tem medo de água fria”. Trazendo o irmão mais novo comprovariam que diziam a verdade, que tinham palavra, boa índole e caráter.

    Além disso, José mataria logo a saudade de seu irmão. Ele não foi vingativo, mas bondoso e amável (16-19; 24).

    Rubem firmou um compromisso louco, garantindo a vida de seu irmão com a vida de seus filhos. Por que não garantiu com sua própria vida? É fácil entregar os outros como nossos fiadores; fazer negócios com a vida alheia.

    José se apresentou como temente a Deus (18-20). E os desafiou: “Se sois homens de retidão…”. Teriam de pensar sobre essas palavras e lembrar dos fatos antigos. “O que é isto que Deus nos fez“, demonstra que eles estavam refletindo sobre o que fizeram de errado. Foram contristados por Deus para chegar ao arrependimento. Eles se viram nas mãos de Deus. Pensaram em julgamento (25).

    Algumas Lições:

    1 – Os irmãos de José se apresentaram no Egito com a missão de levar alimento para casa e preservar a vida de sua família. Para isso, prostraram-se com rosto em terra. Demonstraram humildade e reconhecimento das dignidades. Devemos trabalhar com diligência e humildade para sermos bem-sucedidos. Além do mais, mesmo sem saber, estavam cumprindo os sonhos de Deus em José.

    2 – Os sonhos de José eram planos de Deus. Ninguém pode destruir os sonhos e planos de Deus em nós (15.13-16; 37.5-11; 42.9).

    3 – José conhecia bem a índole de seus irmãos. Quis ver se continuavam os mesmos ou se tinham mudado. Constatou neles arrependimento (21-24). O pecado traz consequências. Devemos pesar bem as consequências de nossos erros e assumirmos nossa culpa, arrependidos (1 Jo 1.9).

    4 – José chorou a agonia deles. Devemos chorar com os que choram por causa do pecado. Mesmo com aqueles que nos causam males (Mt 5.44).

    5 – A ação de Rubem chegou ao extremo do desespero, colocando a vida de seus filhos em perigo. “Medidas Desesperadas” (Filme) leva-nos a cometer injustiças e desgraças. Devemos agir com fé em Deus. O verdadeiro arrependimento o levaria a comprometer a sua própria vida e não a dos filhos. Mesmo que tal ato fosse um jeito de seu pai se sentir seguro quanto ao cumprimento da promessa, foi um ato louco

  • A Utilidade da Palavra Inspirada de Deus

    A Utilidade da Palavra Inspirada de Deus

    A Utilidade da Palavra Inspirada de Deus para produzir em uma pessoa a aptidão completa para todas esferas da vida.

    Qual a Utilidade da Palavra Inspirada de Deus? Ela produz em uma pessoa a aptidão completa para toda boa obra. Isto é o que diz 2 Timóteo 3.16,17: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para correção e para instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.”

    Por que a Escritura tem esse poder? Porque ele é inspirada por Deus. Ou seja, Deus é a origem, a fonte, como também, Ele mesmo é a Palavra, na Pessoa do Filho (Jo 1.1).

    E há uma virtude declarada sobre a Palavra de Deus em Isaías 55:10 e 11 que diz que como a chuva cai do céu e faz a terra produzir, da mesma forma, diz Deus, “a minha palavra não voltará para mim vazia, ela fará o que deseja e atingirá o propósito para o qual a enviei“.

    Foi pela sua Palavra que Deus criou o mundo e tudo que nele há. Hebreus 11.6 diz: “Pela fé entendemos que os mundos, pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente“. Por ser tão virtuosa não há nada, nenhuma outra força, nenhuma outra palavra, nem todos os bens materiais e riquezas, nem a escola, nem as melhores faculdades ou universidades do mundo podem ser mais úteis do que a Palavra de Deus para todas as coisas, e em especial, para formação do caráter do homem.

    Digo em especial para formação do homem porque o objetivo de Deus nos enviar sua Palavra seja escrita, proferida ou na Pessoa de Cristo é a nossa salvação total, isto é, no plano horizontal e espiritual.

    Com respeito ao plano horizontal, diz respeito aos nossos relacionamentos uns com os outros: família, igreja e sociedade. Deus tem projetos para nós aqui, como peregrinos na terra, mas com uma missão: fazer discípulos, ensinar a Palavra, viver em oração, em retidão e santidade, apresentando os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1,2).

    Nesse plano horizontal, dos nossos relacionamentos interpessoais, o Espírito Santo nos forma o caráter, o temperamento e as faculdades mentais para sermos a imagem de Cristo através da Palavra. “Santifica-os na verdade, a tua Palavra é a verdade” (Jo 17.17).

    Com respeito ao plano vertical, o nosso relacionamento com Deus começa aqui no plano horizontal, mas vai para o além, para toda eternidade. Nossa mente não consegue alcançar a compreensão do que isso significa.

    Por exemplo, sobre Jesus Cristo, João 1.1 diz que Ele é o Logos, a Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, Deus. Então, o ensino verdadeiramente superior é o que vem do alto, de Deus, do transcendente para o imanente.

    Veja o que nos diz 2 Timóteo 3.16,17:

    “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.”

    Quatro verbos expressam o valor da Bíblia: Ensinar, redarguir(repreender), corrigir e instruir (educar). O ensino é a didaskalia, de onde vem a didática, que é a “Arte de ensinar, de transmitir conhecimentos por meio do ensino.” (Dicio).

    Então, a palavra inspirada por Deus tem a melhor didática, é a melhor capacitada para nos ensinar.

    Destaco ainda, o verbo instruir, que é o ato pedagógico. Pedagogia vem do grego paideia que visava a formação do cidadão ético e moral.

    A palavra pedagogia vem de paideia, é a ciência da educação e do ensino. Forma-se de paidós, (criança) + agogos (condutor). Daí, o pedagogo era o condutor de crianças na aprendizagem.

    Da mesma forma, a Palavra de Deus é a Pedagoga para nos ensinar. O problema é que cada vez mais vemos pessoas descrentes na Bíblia como Palavra de Deus. Mesmo autoridades tem rejeitado o valor da Bíblia para o ensino e formação do cidadão.

    Então, isso explica o ruma desgraçado que a sociedade vem tomando, infelizmente.

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Pr Odivan Velasco

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